Porque é que a maioria dos programas de desenvolvimento da Liderança falha – como evitar o insucesso


Em Marketing, existe um velho ditado que diz “metade da minha publicidade é desperdiçada – eu só não sei qual das metades”. Num setor chave como a Aprendizagem e Desenvolvimento, o mais triste é que as probabilidades são ainda piores: num estudo de 2014, 67% de um grupo de executivos disseram que os seus programas de desenvolvimento de competências de liderança não funcionam*. Como se pode melhorar esta situação?

Este desafio é suficientemente grande no Reino Unido, mas talvez ainda maior nos Estados Unidos, onde são gastos anualmente US$13 Biliões no desenvolvimento dos líderes das organizações. É um desafio que está a ser abordado num número cada vez mais elevado de empresas e escolas de gestão, através de técnicas de aprendizagem experiencial, muitas delas desenvolvidas e iniciadas pela ProfitAbility.

Nos Estados Unidos da América o seu principal responsável é Alex Draper, um defensor e implementador apaixonado dos programas da ProfitAbility. Numa entrevista recente, disse que o seu foco principal era o autoconhecimento e os aspetos comportamentais da liderança (EQ).

O Vazio de Liderança

Alex salienta que, na conjuntura atual, os líderes precisam de ser auto conscientes e também que as empresas enfrentam agora um desafio enorme. Aproximadamente 10,000 “baby-boomers” entram diariamente na idade de reforma, e não existem substitutos qualificados suficientes a entrar no mercado de trabalho. Os que entram, enfrentam mudanças culturais e estruturais que significam que têm de ser treinados para gerir de uma maneira completamente nova. Historicamente, tem existido uma falta de foco nos comportamentos de liderança (EQ) e de autoconhecimento, com mais tempo gasto no desenvolvimento de competências como o pensamento estratégico e a visão de negócio (IQ), mas Alex sente que esta situação tem de mudar.

Ele relembra o nascimento de um programa extremamente bem sucedido, chamado Magnetic Leadership, desenvolvido inicalmente pelo cofundador da ProfitAbility Brian Helweg-Larsen para a Siemens na Europa, e que é atualmente utilizado em variadas formas por todo o mundo. Alex viu o seu imenso potencial, mas também que precisava de umas mudanças subtis destinadas ao mercado Americano, para refletir as diferenças dos processos de gestão nos Estados Unidos. Desde então evoluiu para um “programa extremamente polido” que retira aos participantes as competências empresariais a que estão habituadas e que os coloca num ambiente desconhecido, “resumindo anos de experiência em 1 ou 2 dias de simulações concentradas de negócios”.

O Apelo Magnético

Para compreender completamente a simulação Magnetic Leadership é preciso, em primeira mão, participar na experiência, mas na sua essência podemos descrevê-la da seguinte forma: existem 2 a 3 equipas compostas por 7 a 9 pessoas e em cada ciclo de atividade serão atribuídas funções de liderança a duas ou 3 pessoas (todos os participantes serão líderes, num determinado momento). Cada membro da equipa desempenha uma função com objetivos a atingir: alguns são criativos/departamento de inovação, outros estão na produção, no departamento financeiro ou em Marketing e Vendas. Globalmente, Alex indica que existem 3 fatores chave de sucesso:

  1. Definir uma estratégia e objetivos – “ter um plano”
  2. Descobrir a melhor forma de executar a estratégia – “executar o plano com os recursos que temos à disposição”
  3. Criar uma força de trabalho empenhada – “garantir que as pessoas querem ajudar na execução do plano”

O que realmente coloca as pessoas numa posição difícl é que, inicialmente, a maioria vai falhar. São descobertos “blind spots” desconfortáveis, que talvez nem soubessem que existiam. O que é absolutamente vital é a presença num ambiente seguro que permite aos participantes liderar e que implica “apanhá-los em ação e dar-lhes feedback imediato”, o que, como Alex realça, raramente acontece na vida real.

Feedback é Difícil

Chegamos então ao que Alex considera o elemento mais importante – o Ciclo de Feedback. Essencialmente, cada participante dá feedback 360o de acordo com os seguintes critérios (retirados do modelo SBI/CCL):

  • Situação (‘onde e quando’)
  • Comportamento (‘qual’)
  • Impacto (‘como se sentiu’)

Esta parte não é fácil para muitas pessoas, e é por isso os coaches/formadores, presentes em sala, dão assistência ao processo de uma forma permanente.

Somente depois deste processo de feedback é que os resultados financeiros de cada equipa são revelados, juntamente com feedback adicional sobre os comportamentos que estiveram na origem de cada resultado. É claro que os participantes aprendem com os seus erros: mas o jogo fica cada vez mais difícil com o avançar dos ciclos, para que cada um dos líderes seguintes enfrente desafios de grau semelhante.

Para ilustrar o poder do programa Magnetic Leadership, vamos conhecer uma situação real.

Case Study: IDEX

Este foi um caso em que o Magnetic Leadership apareceu mesmo na altura certa: a IDEX, um grupo de engenharia envolvido em vários setores de atividade, nomeadamente energia e combustíveis, saúde e ciência e fogo e salvamento, estava determinado em transformar os seus líderes descentralizados em verdadeiros empresários com responsabilidades financeiras.

Para o conseguir, precisavam de um programa de alta performance para os seus colaboradores mais promissores. Este seria um processo com a duração de 6 meses a 1 ano e que envolvia coaching, avaliações e formação. A IDEX concordou que o sistema Magnetic Leadership da ProfitAbility fornecia uma peça crítica que estaria em falta no processo. Como Alex Draper, coordenador do projeto salienta, “transforma tudo o que lhes ensinaram num plano individual de desenvolvimento onde eles vão investir”.

Como sempre, o Magnetic Leadership está costumizado para necessidades de negócio específicas, e no caso da IDEX foram criados 2 programas distintos: para Líderes de Nível 1 (Leadership Excellence Program, LEP) e para Diretores de Nível 2 (Business Line Leadership, BLL). Aqui está o que o CEO achou deste processo, e o resultado obtido:

“A nossa Equipa Executiva passou pela simulação Magnetic como um grupo piloto. Foi uma grande experiência: extremamente envolvente, com ritmo elevado, exigente… Espelhava a vida real. Fiquei espantado como é díficil dar feedback, mesmo a nível executivo. Acredito que feedback honesto e atempado é vital para o nosso sucesso. Todos merecem saber como está a ser o seu desempenho.”

Andrew K. Slivernail, Chairman e Chief Executive Officer

Desde então, a IDEX realizou o Magnetic Leadership como parte do programa LEP (Leadership Excellence Program) para 3 grupos de cerca de 16 Diretores Gerais e líderes globais de diversas funções. Um grupo adicional de 25 diretores frequentou o Magnetic Leadership como parte do programa BLL (Business Line Leadership). Numa escala de 1 a 5, os participantes atribuíram à simulação Magnetic Leadership uma pontuação global de 4.4.

*Fonte: i4cp (Institute for Corporate Productivity), Estudo anual Critical Human Capital Issues, 18 de junho, 2014.

Autores: ProfitAbility

Tradução e Adaptação: ProPeople