Mudança? É muito tarde depois da Plataforma arder!


Ocasionalmente a mudança é forçada devido a algum desastre, tragicamente fatal em certos casos. Os incêndios em plataformas petrolíferas permanecem como indicadores históricos reais, como por exemplo os casos da Deepwater Horizon em 2010 e, antes disso, o da Piper Alpha em 1998. O último resultou na perda de 167 vidas e num custo de $3.4 biliões, e o primeiro na perda de 11 vidas, no derrame de cerca de 200 milhões de galões de petróleo e num custo de $56 biliões.

Durante o incêndio na plataforma da Piper Alpha, 3 homens perceberam que estavam numa posição impossível de superar e que, à beira da plataforma, tinham uma escolha muito difícil – permanecer onde estavam e morrerem queimados ou, saltarem centenas de metros para a água gelada e muito provavelmente morrerem de hipotermia. Dois saltaram e foram posteriormente resgatados.

Andy Mochan foi um desses dois homens e inspirou o consultor e escritor Americano Daryl Conner a incluir a metáfora “plataforma em chamas” no seu livro ‘Managing at the Speed of Change’ (Gerir à Velocidade da Mudança).

O foco de Conner não é a gestão e falhas de segurança dos donos das plataformas, mas antes a forma como os negócios devem procurar por situações onde existem problemas urgentes para resolver  e onde não fazer nada não pode ser uma opção. O legado pessoal de Mochan foi a sua campanha, durante o resto da sua vida, para melhorar a segurança em plataformas petrolíferas e em locais de trabalho na sua generalidade.

Stephen Elop, CEO da antes poderosa Nokia, disse ao seu staff que estavam numa ‘plataforma em chamas’ e que a sua única esperança de sobrevivência, mesmo que arriscada, era a de mudar da sua plataforma tecnológica móvel para a da Microsoft. Era de facto arriscada, e falhou. Mas provavelmente já não existiam alternativas naquela altura. Indiscutivelmente, o momento de plataforma em chamas da Nokia foi quando a Apple lançou o iPhone.

Situações críticas semelhantes foram vividas nos seguintes negócios:

Blockbuster – não reagiu ao colapso dos alugueres de DVD; poderia ter mudado para um serviço de streaming.

Borders Bookshops – não alterou o seu negócio para os e-readers, ao contrário do seu rival nos Estados Unidos Barnes & Noble.

Antigos líderes no mercado de telemóveis: Ericsson, Motorola, RIM (Blackberry) – todos lentos a ver a importância do touch-screen e da internet móvel.

Porque esperaram? Muitos alarmes são instalados DEPOIS do assalto! Porquê? Será a natureza humana que torna a maioria de nós relutante a mudar os nossos hábitos e comportamentos?

Em termos comerciais, a necessidade e ‘Velocidade de Mudança’  significam que temos que estar constantemente a pensar em transformar os nossos negócios e em gerir as mudanças de forma perfeita.

Como podemos desenvolver o desejo e a capacidade para sermos mais pro-activos em relação à mudança?

Empresas ágeis não esperam que o comboio da concorrência apareça; que surja no mercado uma ideia inovadora da parte de um rival; até que as vendas diminuam, antes de reagir a uma mudança na procura da parte dos clientes – ao invés disso, estão constantemente a desafiar a sua abordagem e mudam de forma proativa. Esperar para aprender sobre a necessidade de mudança ‘no trabalho’ não é uma opção sensata há muito tempo. Para permitir aos executivos reconhecer; reagir rapidamente, e transformar as suas práticas de negócio, temos de os colocar num conjunto pensado de situações de plataforma em chamas e testemunhar a sua adoção  rápida adoção de novos comportamentos e práticas. Os resultados são fantásticos.

Na ProPeople, em parceria com a ProfitAbility, desenhamos e desenvolvemos simulações de negócio onde os gestores enfrentam desafios relevantes e credíveis – que muitas das vezes incluem decisões críticas sobre o futuro dos negócios. Pegando na lista de principais ameaças de Conner, tratamos de todas:

Insolvência

Descida do preço das ações

Proibição governamental ou ações  legais

Aquisição hostil

Fusão desastrosa

Colapso das quotas de mercado

Reunimos com os clientes e falamos de forma detalhada sobre os desafios que enfrentam e depois criamos um ambiente onde os participantes tentam várias estratégias em segurança, sem medo de errar – é a forma como aprendem. Inserimos alternativas, fatores  aleatórios, reações competitivas, fatores  ambientais e tudo o resto que seja relevante nos seus mercados atuais  e futuros.

Conner afirma de forma convincente que a mudança consiste em 2 coisas: Compromisso e Coragem – estar preparado para ‘pagar o preço emocional do compromisso sem ter a certeza de ser bem-sucedido’.

A boa notícia é que se pode aprender sobre “sucesso” através das nossas simulações de negócio e testemunhar a forma como a aprendizagem experiencial conduz realmente à concretização de processos de mudança.

 

06 de Outubro, 2016

Autor: Chris Howgego – General Manager, ProfitAbility

Tradução: ProPeople